Quinta-feira, Maio 28, 2009



Ganhei de presente de aniversário meu primeiro dicionário de grego clássico. Estudando agora as tragédias gregas mais a fundo, ele se tornou realmente indispensável. Como já observava Louis Gernet, as ambiguidades do vocabulário jurídico são a verdadeira matéria das tragédias gregas. Os personagens manuseiam o tempo todo os vários significados dos termos do direito. Em Antígona, por exemplo, há um constante jogo com os palavras nomos (direito, leis..), diké (justiça, direito) e Krátos (autoridade), por exemplo. O que me interessa, no momento, como já disse, é saber como os personagens femininos usam tais palavras. É possível que o termo justiça dito por uma personagem feminina tenha sentido bem diferente do termo justiça empregado pelos homens. Uma justiça menos tribunalesca e mais próxima do justiçamento, no que ele poderia ter de positivo...

Quinta-feira, Maio 21, 2009

Mínima do dia:

Convenhamos, toda ejaculação é precoce...

Sobre a filosofia não ser feminina, encontrei este sugestivo texto do livro As filósofas de Marina Bruzzese (tradução livre minha).

"A Filo-sofia, termo adotado por Platão no século IV a.C., para definir a busca do conhecimento fundamental remete a uma Sofia ou sabedoria mais antiga. A sabedoria se apresentava, desde suas remotas origens na alvorada do mundo grego nos séculos VIII e VII a.C. como forma de conhecimento novo ainda ligado à religião e ao mito. As formas de relação entre religião e sabedoria, a primeira eminentemente coletiva e a segunda ligada à experiências e exigências individualistas, eram numerosas: a poesia era uma delas, Homero e Hesíodo, tanto quanto Parmênides e Empédocles foram sábios e poetas. A mesma especulação filosófica, ao menos até a idade dos sofistas ou de Sócrates, estava permeada de elementos mitológicos e poéticos. A separação do pensamento filosófico puro do abanico pluralista da sabedoria foi, pois, lenta e gradual.
No século VI, o que ainda tinham em comum Sofia e Filosofia, sabedoria e paixão pela sabedoria, era o caráter prático de ambas: o interesse pela vida dos homens, pela disciplina de seu comportamento e de sua conduta moral, a tendência até uma forma de vida superior que unisse o homem com as forças agentes da natureza, na Physis. Teoria e prática estavam estreitamente ligadas na conduta do sábio.
O caráter oral, metafórico e ritual concedia um poder de salvação aos conhecimentos da antiga Grécia e os situava em uma complexa relação de continuidade e ruptura com os lugares e os papéis do mito e da religião: a Sofia era, no fundo, uma religião conceitualizada, a aparição gradual do pensamento primitivo, do pensamento dos oráculos e dos sábios, da peculiar forma racional de conhecimento humano.
A Sofia antiga era, portanto, uma arte para sábios, para iluminados, para profetas e sacerdotes. O acesso à mesma só era permitido sob certas condições privilegiadas: embriaguez, loucura, asceses chamânicas e vidência.
Durante milênios a filosofia conservou, em distintas formas, as prerrogativas de um saber excepcional, reservadas as pessoas que levavam uma conduta existencial peculiar, que se situava para além da normalidade. Esta era a religião antiga, e a Sofia, primeiro, e a filosofia depois, herdaram este legado, transformando-o ao longo da história. Podemos pensar que, na gestão desta antiga sabedoria, as mulheres desempenharam um papel particular, um papel de que ficam vestígios nos mitos.
Uma vez separada da Sofia, a filosofia adquire gradualmente as características de um saber lógico e masculino e exclui as mulheres do conhecimento, confinando-as num papel exclusivamente religioso. A Sofia, como legado de uma cultura materna, perde sua função".

Terça-feira, Maio 19, 2009

"Se vierem dizer-te que alguém falou mal de ti, não te preocupes com negar o que foi dito; responde somente que o indivíduo não conhece os demais vícios teus, e que, se conhecesse, muito pior houvera falado"
Epicteto
Surpreso com a morte repentina de um amigo outrora tão próximo, um verdadeiro dândi... Fiquei assim triste, pensativo. Melhor morrer jovem ou maduro? A vida pode ser um duro castigo...

Terça-feira, Maio 12, 2009

No início da década de 80, na França, escutei Circuladô de Caetano e fiquei impressionado, sobretudo com a interpretação da música Jokerman, obra prima de Bob Dylan. O disco tinha uma sonoridade especial com aqueles arranjos de Jacques Morelembaum (depois o genro de Jobim virou arroz de festa...). Sábado passado, em comemoração ao meu aniversário, fui ver o novo show de Caetano lá no Canecão. Outra surpresa. Apesar de chato e insuportável quando fala, Caetano é sempre genial no palco, além de revelar-se, mais uma vez, ser um camaleão. A sonoridade do novo disco é incrível, lúgubre, sombrio, diria. Agora, no toca csd do meu carro tá difícil não ouvir "ad nauseam" a música "Perdeu", que abre o disco. O arranjo de Pedro Sá é insuperavel e a música tem quase 7 minutos (só perde para Faroeste Caboclo...) Saí do show no sábato bem atordoado e parece que estou assim até agora...

Quarta-feira, Maio 06, 2009

A HORA DA VINGANÇA!

Sábado, Maio 02, 2009




Não dispomos de muita coisa sobre Aspásia. Ao que parece, Plutarco escreveu um pouco sobre ela. Na tela acima, vemos Sócrates (com ciúmes?) tentando arrancar Alcebíades dos braços da moça. Alguns relatos dizem que Aspásia era uma cortesã, isto é, uma espécie sofisticada de prostituta que em grego recebe o nome de "hetaira" ou hetera.
Em geral, as hetairas, que eram metecas, isto é, estrangeiras, se dedicavam a uma espécie de Academia voltada para a formação de jovens prostitutas. As hetairas não estavam no mesmo nível das dicteríades e das aulétrides. Estas eram escravas da prostituição, enquanto as hetairas eram livres.
Não temos provas de que Aspásia tenha sido realmente uma hetaira. No entanto, os testemunhos falam que Péricles se divorciou para casar-se com ela, tamanha sua beleza e cultura.
É interessante saber que talvez a única filósofa da Grécia Antiga, que não nos legou textos escritos, tenha sido uma bela rameira...