FUNERAL BLUES
W. H. Auden
Tradução: Nelson Ascher
Que parem os relógios, cale o telefone,
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás
Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto – um laço no pescoço
e os guardas usem finas luvas cor-de-breu
Era meu Norte, Sul, Leste, Oeste, enquanto
viveu, meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz, se engana
É hora de apagar estrelas – são molestas,
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante.

3 comentários:
Lindo. Esse poema foi usado no filme '4 Casamentos e 1 funeral' - que eu adoro!
Bom poder passear por aqui novamente,
Abração.
perfeito.
Lindo poema, porém na versão original. Creio que o Nelson Ascher o empobreceu muito na sua tradução. Muitas imagens belas foram perdidas e inevitavelmente as rimas e sonoridades também assim o foram. Para saber apreciar genuinamente um poema em outra lingua tem que se pensar e se sentir nela própria, caso contrário apenas fica a idéia, porém o lirismo e sentimento que, creio eu, seja o quê há de mais sublime em um poema fica escanteado ou sequer revelado.
Um forte abraço!
Ps.:Aaah... Marina Bruzzese que me aguarde. A discussão da Filosofia ser ou querer ser exclusiva do gênero masculino pode estar suspensa, mas não encerrada. Filosofia, filosofar não se admite ponto final (.)
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