É, o retorno ao blog não está sendo na velocidade que eu gostaria. O problema, agora, é o período natalino, somado ao verão que chegou intenso. Tenho ido ao mar todos os dias, em qualquer horário possível. Ando descobrindo que João Pessoa é o lugar mais lindo do mundo. Ontem teve lual. Estava lindo. Fizemos uma fogueira imensa em plena praia do Cabo Branco. Lemos poesia e tomamos vinho. Perfeito! Aproveito para deixar a dica de um site maravilhoso de poesia:
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_
Seguido de um Itamar assunção
Eu penso logo eu vivo logo durmo eu durmo logo sonho
Eu sonho logo acordo acordo logo penso eu penso logo vivo
Viver é risco preciso verbo transitivo estranho
Os obuses são obuses são obuses são medonhos
Viver no país de alice só em livro só em sonho
Pois os mísseis são os mísseis são os mísseis são demônios
Terça-feira, Dezembro 16, 2008
Terça-feira, Dezembro 09, 2008
Este vídeo, no qual um cão tenta salvar outro, exibido no mesmo dia em que vemos a notícia dos estudantes de medicina do Rio de Janeiro, que bêbados fizeram festa em pleno hospital universitário, zombando dos pacientes, mostra que nossa vida é menos cachorra do que imaginávamos...
http://www.youtube.com/watch?v=JG0vHzgVn7w
http://www.youtube.com/watch?v=JG0vHzgVn7w

Estonteante. É o mínimo que posso dizer sobre o novo filme de Woody Allen. Cartas sobre a mesa, devo confessar, de pronto, que sou refém da beleza de Penelope Cruz. E quando ela contracena com Scarlett Johannson aí é pura covardia. Claro, Rebecca Hall, diria Artuzinho, meu amigo lá de Recife, "não se perde não".
Só isso vale o ingresso, mas obviamente o filme é estonteante não apenas pela beleza das atrizes, mas principalmente pelo aspecto mítico que ele atribui às personagens femininas. Tudo que é mítico, penso, contém uma dualidade intrínseca. No caso de Vicky, Cristina e Barcelona, as duas personagens principais expressam esta binariedade com muitíssima intensidade. Nelas, tudo é ambivalente, contraditório e antagônico.
Vicky, a burguesa bem comportada, fechada em seu way of life norte-americano, paradoxalmente é apaixonada pela cultura catalã. Seu estilo, contudo, diverge por completo do colorido e disforme das obras de Gaudí, que ela tanto admira (no mais, ela não fala nada de espanhol...). O mestre Allen sempre faz questão de filmá-la tendo algo que lhe é totalmente oposto como pano de fundo. Além da cena do Parque Guell, temos aquele impagável parque de diversões retrô (que não me lembro de ter conhecido quando estive em Barcelona, mas isso já faz mais de quinze anos...) que rivaliza por completo com o modo de ser da moça.
Cristina também expressa luta e movimento. Aparentemente decidida a não ter a vida comportada de sua amiga, ela não consegue entretanto chegar a ser o que busca. Viver a vida estetizada que lhe foi proposta por Juan Antonio e Maria Elena é muito para a cineasta que tentou falar sobre "a essência do amor" num filme de 12 minutos. De algum modo Cristina é mais ambivalente do que Vick. Numa cena, ela confessa sua sensibilidade artística, mas ao mesmo tempo reconhece a incapacidade de traduzir tal disposição em qualquer coisa de concreto que minimamente remeta ao mundo da arte, apesar de fotografar e de fazer poesia.
O filme é ótimo desde o início, mas quando Penélope Cruz surge, para mim foi como se um pássaro gigante, de asas imensas, negras, tomasse conta de tudo. A pintora Maria Elena é a personagem mais importante da trama. Na verdade, com sua chegada passamos a saber que a irreverência e transgressão de Juan Antonio não passam de uma paródia da genialidade de sua ex-esposa. Esta sim, como ela faz questão de lembrar, não tem talento (coisa medíocre...), mas genialidade. Caravaggio de saias, portando faca ou revólver, ela é a própria hybris, a desmedida grega. Maria Elena, ela sim traduz o ideal de uma vida dionisíaca.
Enfim, Vicky, Cristina e Barcelona deve se tornar um dos filmes mais comentados de Woody Allen. Cada vez mais europeu, ele zomba da cultura norte-americana conservadora ("tens que falar em inglês Maria Elena"!!!!) e nos brinda com seu poder de conciliar drama e comédia.
Pois é, neste feriadão saí do cinema mais rico e feliz...
Semana intensa, é o mínimo que posso dizer. Primeiro pelo sucesso absoluto da primeira oficina do Núcleo de Estudos Sobre Gênero e Direito. Primeiro porque a bela Paula Viturro nos proporcionou uma verdadeira "tempestade cerebral" com sua análise dos principais problemas atinentes à relação gênero e direito. Também pelo fato de que perdi dois grandes amigos numa única semana: Sérgio Tavares e Luís Augusto Crispim. Dois exemplos de cultura e erudição. Quando criança, ficava emebebecido ao escutar Sérgio e meu tio Ronaldo discutirem no terraço de minha casa sobre cinema, literatura, música etc. Certamente isso foi decisivo na minha formação. Crispim, apesar de "primo", como ele fazia questão de dizer, conheci bem mais tarde, quando ingressei na carreira docente. Ficamos amigos e anos depois ele me deu a honra de ser seu orientador no mestrado. Dono de uma prosa mais que invejável, Crispim também foi um dos homens mais elegantes e gentis que conheci. E minha vida ficou certamente mais pobre com a perda dos dois...
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